Recordar o Natal dos tempos de infância mexe com vários sentidos. No meu caso, essa lembrança é resgatada e traduzida em aromas. Dos ensopados (para a minha família, o polvo que meu pai prepara na data é obrigatório) aos assados salgados e doces, que perfumam a casa durante todo o dia, conforme vão ficando prontos.
No caso dos doces, refiro-me, mais especificamente, aos panetones preparados pela minha mãe. Ela fazia vários, com receita própria, massa muito macia com uma verdadeira festa de uvas passas e frutas cristalizadas.
Aquele processo trazia à casa um perfume de laranja delicioso, como quem avisava: chegou o grande dia! Eles tinham que ser feitos no dia 24, mesmo, fresquinhos. Uns nós devorávamos, outros eram dados de presente a quem vinha ceiar conosco.
É bem verdade que hoje minha mãe não se dedica mais ao preparo dessas delícias, com uma desculpa que a gente até perdoa: "Mas hoje há tantos panetones bons à venda, o meu não chega nem perto".
Sei...
Mas, enfim, quando a gente insiste muito ela até prepara ;). Por conta disso, minha paixão por panetones é algo irremediável. E não sou nada purista, adoro praticamente todas as versões.Na tradicional confeitaria Di Cunto, tem panetone o ano inteiro. No Fasano, o topo ganha cobertura farta e crocante de amêndoas. No Havanna , a massa conta com gotas de chocolate e doce de leite. Na Frutos da Amazônia, o recheio é de cupuaçu. E por aí vai.
A foto que abre este post é do panetone da pizzaria Bráz, considerada por muitos a melhor de São Paulo, onde a excelência no preparo de massas não se restringe às redondas. Pelo quarto ano consecutivo, a casa também produz, nessa época do ano, a versão típica milanesa do panetone. A massa é macia, entremeada com pedaços de laranja e gotas de chocolate. A forma é mais baixa e larga. E, para finalizar, uma camada de amêndoas. Mais uma versão para provar e amar.
Panetone Bráz - R$ 39,00.
À venda na
Pizzaria Bráz e no
Quintal do Bráz